Batalha do Sono

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris Davi e Caio

Nas bancas, ou entre as mães blogueiras, uma capa de revista com certeza chamou atenção neste mês de outubro: “50 soluções para vencer a batalha do sono”, da revista Crescer. Na Rede, a matéria conta ainda com um making of em vídeo, que lembra direitinho algumas imagens de nossos pequenos na hora de dormir: os pulos na cama, uma brincadeira com lanterna e o clássico esconde-esconde debaixo do cobertor. Tudo de tão gostoso, mas que também nos faz ficar de cabelo em pé quando a luta no final do dia é nossa. Com dados de uma enquete online a matéria traz histórias bem parecidas com o dia-a-dia de qualquer pai e mãe na batalha contra a falta de sono dos pequenos notívagos.

Hoje aqui em casa foi meio assim, ainda que me vanglorie por ter uma rotina saudável nessa hora com os meninos. Além de ainda estarmos nos acostumando com a casa nova, estávamos com a visita de vovô; o computador ligado e todos eles com um pique de bateria recarregada.
Geralmente começam a relaxar e vão pra cama às 20h30, mas já passava das 21 horas e nem pensei sobre o horário de verão que, nesse caso, dava a eles toda razão. Íris no computador estudando espanhol com o avô e depois atendendo a um telefonema de uma amiga, Davi correndo pela casa e Caio pulando na cama e fazendo toda a bagunça.

Ainda no trabalho, Daniel ligou pra saber como estava o ritmo da casa. Acabava de ganhar duas entradas pra apresentação da orquestra sinfônica do Rio aqui em Brasília. Fiquei morrendo de vontade, mas “nada feito estamos aqui em polvorosa”. Mas tudo bem. Essa é apenas uma quebra de rotina. Nada parecido com o rojão deles até os dois anos de idade. Agora a trupe já dorme a noite inteira, cada um em sua cama, afora aqueles conhecidos momentos de medo ou insegurança.

Íris por exemplo, que dormia no mesmo quarto de Davi e Caio até o ano passado, em sua primeira noite de independência, num espaço só dela…ah! nem me lembre: Chorou como há muito não fazia. Hoje não. Ela prefere mesmo ficar lendo até mais tarde e ter um quarto todo cheio de caixinhas, hello kitys e emílias. Já pra os meninos, quase tudo é futebol, um pufe de bola, um cobertor igual a um campo gramado (bordado pela vovó coruja) e todo o aconchego de historinhas pra dormir melhor.

Mas, nada melhor pra expressar bem tudo isso, do que duas músicas do Palavra Cantada que embala essa nossa história: “Dorme em paz” e “Pro nenê nanar”, do CD Canções de Ninar.

 

Na Estrada

Por Mariana Galiza
repórter mãe de Enrique


Férias. BR040. Destino Belo Horizonte. 700 km à frente. Uma criança de um ano e meio atrás. Uma verdadeira aventura para nenhum praticante de esportes radicais botar defeito. Não fosse pelo bom humor do Enrique e por seu comportamento consideravelmente tranqüilo, poderia ter sido uma aventura temerosa. Mas ainda que o pequeno tenha contribuído bastante, lidar com crianças traz sempre (in)esperados contratempos. A começar pelo tamanho da bagagem. É incrível como um ser tão pequeno ocupa tanto espaço. Três roupas por dia é uma média. Uma para antes do banho, outra para depois. A terceira é um coringa para uma eventual – e quase sempre inevitável – lambuzada de comida, suco, xixi, coco e outras sujeiradas deliciosas tão típicas e necessárias dessa fase. Além disso, brinquedos, berço portátil, mamadeiras, lanchinhos e outros acessórios indispensáveis para a distração infantil completam o arsenal. Sem contar a cadeirinha que ocupa pelo menos 70% do banco traseiro. A decisão de não levar o carrinho é sábia e imprescindível para sobrar espaço para nossa mala.

Obstáculo “como fazer caber tudo dentro do carro” superado, pé na estrada. Tudo vai bem até que o Enrique começa a perceber que sua permanência sentado – preso – naquele troninho acolchoado será um pouco mais longa que a habitual. A partir daí é que começa a segunda etapa da aventura: convencer uma criança cheia de energia de que ficar dez horas dentro do carro é divertido e agradável. E lá se vai todo seu repertório musical, toda a sua criatividade para inventar brincadeiras, a tentativa de “deixar chorar para ver se ele desiste” e, finalmente, a redenção: mamãe passar para o banco de trás. Como o Enrique ainda mama, fica ainda mais difícil fazer com que ele fique “longe” da mãe por tanto tempo. Assim, no minúsculo espaço entre a cadeirinha e a porta do carro, mamãe segue viagem, para tranqüilidade geral dos viajantes. Até que Enrique dorme e mamãe volta a fazer companhia para o papai. E nesse ciclo, fomos e voltamos. Valeu a experiência e, ainda mais, os quinze dias deliciosos em Belo Horizonte. Até a próxima aventura!