Presentes cor da terra

Por Ana Inês

repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Embora seja um costume, reconheço que estimular os pequenos à solidariedade não é apenas juntar os brindes de lanchonetes ou aqueles brinquedos que não entram mais nas brincadeiras e fazer doações em saquinhos de presentes. A cada dia torna-se mais importante cultivar a tal da “responsabilidade social” e mesmo com um nome tão sério e badalado, nos faz encarar a economia de custos, consciência ambiental e o reconhecimento aos valores culturais.

Falo isso porque encontrei exatamente o que eu queria para presentear a todos (avó, pai, mãe, irmãos, sobrinhos e amigos…) numa busca descompromissada pela internet. Procurava por um CD antigo, que perdemos junto a um equipamento de som roubado (há uns anos) e sempre quis reaver. Era o primeiro CD – Roda que Rola (escute algumas músicas) – do coral dos Meninos de Araçuaí , organizado pelo grupo Ponto de Partida. Já havia procurado essa “iguaria mineira” em muitas lojas de música e produtos pedagógicos mas, em mais de três anos, não obtive sucesso.

Assim, entrei no site da Cooperativa Dedo de Gente e descobri muito mais: cartões de natal desenhados com terra de formigueiro, carvão, urucum e outras tintas naturais;; bonecas de pano, jogos pedagógicos, esculturas e peças utilitárias em ferro, bambu e madeira; bordados, doces, licores, geléias naturais e outros tantos feitos artesanais. Percebi que, ao adquirir tamanhas riquezas, estaria me deliciando e, de quebra, estimulando a arte em crianças e adultos e ajudando a amadurecer um projeto enriquecedor, que envolve diversas famílias, escolas e comunidades. Pessoas que, ao presentear alguém, posso de longe desejar um Feliz Natal e um Ano Novo de grandes produções.

Os produtos são feitos em “fabriquetas” onde trabalham artesãos do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas Gerais. A Cooperativa fica na cidade de Curvelo, mas distribui seus produtos exclusivos pelo mundo afora. Vale conferir!

 

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Figuras Imaginárias

Por Mariana Galiza
repórter mãe de Enrique

Não, não estou falando dos amigos invisíveis, seres imaginários tão comentados por especialistas e pela mídia, mas com os quais nunca tive contato. Falo das figuras criadas com fins comerciais para ilustrar datas comemorativas e, de quebra, aumentar colossalmente as vendas. São eles: Coelhinho da Páscoa e Papai Noel.


É verdade que as estórias que os criam e os perpetuam são muitas vezes recheadas de sentimentos, simbolismos religiosos e valores morais e há uma tentativa de conferi-lhes algum caráter educativo. “O coelhinho é a fertilidade, a vida”, “O Papai Noel dá presentes para meninos que são bons, estudam e respeitam os pais” e por aí vai… Mas o fato é que essas figuras são exploradas pelo comércio como apelo ao consumo. Bichos de pelúcia, ovos de chocolate de tamanhos desproporcionais às crianças que irão recebê-los, brinquedos tão encantadores quanto caros, novo modelo do velho vídeo game, mil novidades e muita, mas muita propaganda.

Assim, fica aquela grande dúvida sobre apresentar ou não essas figuras imaginárias aos nossos queridos e até então “puros” filhotes. Inevitavelmente eles são descobertos. Enrique já reconhece o “Tatai El” em qualquer enfeite de Natal. Por enquanto ele é apenas uma figura engraçada, mas até quando eu conseguirei desvincular esse velhinho aos presentes que ele entrega? Será que devo mesmo não alimentar a crença no Papai Noel que quase todas as crianças têm, ou não faz mal nenhum, já que um dia se descobre que ele não existe? Eu nunca acreditei em Papai Noel. Não porque meus pais ficavam dizendo “ele não existe, ele não existe”, mas por falta de estímulo para me fazer acreditar que, sim, ele existe. Agora, estou do lado de lá (leia-se “mãe”) e sinceramente não sei o que é melhor. Talvez deixar a coisa fluir naturalmente e ficar monitorando os limites da exploração comercial dessas figuras? Dúvidas, dúvidas…