Semana da Água

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Hoje pela manhã o Plenário da Câmara dos Deputados parecia uma grande sala de aula. Uma sessão solene abriu a Semana da Água e, além de parlamentares e representantes do poder público, foi contemplada por uma parcela importante da sociedade: crianças e adolescentes, alunos do ensino fundamental e médio de algumas escolas do DF e de Goiás.

Mesmo com toda a cerimônia de uma sessão plenária e com um tema tão abrangente a se expor, não havia como passar despercebida a presença dos quase 200 jovens (entre 6 e 18 anos de idade) que entusiasmaram inclusive os discursos dos próprios deputados na tribuna. Convidada pelo presidente da Câmara, Arlindo Chináglia, a Compor a Mesa junto às autoridades, a estudante Nina Barroso, 11 anos – que estava entre os amigos da Escola das Nações no plenário – timidamente dizia que estava ali apenas para fazer uma apresentação do coral de sua escola em homenagem à Água. Mas, segundo o deputado Jorge Khoury, representante da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, “são as crianças, a razão principal deste evento, de toda a nossa luta e da busca cada vez maior do desenvolvimento sustentável do nosso País”.

Ali, bem ao meu lado, outra mãe: Cláudia Martins, mãe de Daniel e Natália, registrava o momento tão pomposo para os filhos – quem sabe futuros atores naquele palco de representantes do povo? “Eu? Sou apenas uma mãe!”, disse toda empolgada por poder acompanhar os filhos no passeio da escola.

Novamente lembrei de mim mesma… ah! Por que não levei os meninos (Íris, Davi e Caio) para me acompanharem no trabalho e participarem daquele passeio histórico-cultural?

Pensando bem, mesmo que lembre deles o tempo inteiro enquanto estou fora de casa (principalmente em momentos tão expressivos como esse), preciso separar o joio do trigo, aprender a tirar as amarras do cordão umbilical. Mais do que para eles, sinto que nesse momento é importante pra mim. E o assunto, que era água, preservação do meio ambiente, sustentabilidade dos recursos hídricos e consciência ecológica e econômica virou outro tema de maternidade…inevitável carreira de mãe!

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Liberdade incondicional?

Por Ana Inês

Repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Este post foi publicado hoje,
no lançamento do site Desabafo de Mãe


Mães têm dessas coisas…uma afinidade, nem sempre umas com as outras, mas com o que vivem. É por isso que estamos aqui trocando idéias, muito mais sobre nós mesmas do que sobre os filhos. Mas, é exatamente daí que vem a tal afinidade: do que move nossas vidas, além da independência utópica. Ela talvez seja tão sonhada por não existir.

Uma coisa é certa: não são os filhos os grandes responsáveis por nossa perda de direção. Deixamos de amamentar quando decidimos dizer “é agora ou nunca”, colocamos na escola quando precisamos, soltamos a mão para que ele corra se nos sentirmos seguras. Nunca fomos independentes (ainda que tenhamos pulado todos os carnavais até os 30 anos, ainda que tenhamos nosso emprego, nossa casa). Se a escolha é morar sozinha, também somos dependentes de alguma coisa que nos deixa assim… tão livres na família unilateral.

Quando casamos, também deixamos nossa independência de lado – dividimos a cama e sentimos falta quando o lado está desocupado ou, do contrário, corremos pra aproveitar a liberdade de ocupar todo o espaço. Oba! Eu comigo mesma! Mas a parte gostosa de ter filhos é sentir que algo se completa. Perceber que não tem amor igual ao dos pais (mães em especial) pelo filho. Não sei se diria incondicional, mas cada um tem seu jeito.

Sim, hoje mesmo passei pela angústia de querer fazer mais do que consigo todos os dias, de produzir antes ou depois da madrugada. Mas o durante também faz a gente buscar um lado zen. Perceber que, mesmo com todos dormindo a noite inteira (depois de um certo tempo, é claro), a gente acorda, ou passa momentos olhando pra aquele crescimento que nem sequer conseguimos ver de fato mas, que na manhã seguinte, com uma palavrinha, uma tarefa mais difícil, uma pergunta, um pulinho com os dois pés, ou um carinho descompromissado…aí todo gostinho bom começa a aparecer.

Mas, tudo isso pode se resumir no comentário de um amigo ao dizer que “deveria haver uma licença especial para quem deseja ser mãe ou pai e que, com certeza, nem todo mundo estaria apto a recebê-la”. Concordo com a idéia e acho sim que vivemos hoje em uma realidade que nos permite escolhas, sem hipocrisia. Nosso auto-conhecimento é fundamental. Por mais que me sinta bem e não me veja tão à vontade assim em qualquer outra atividade senão na condição de mãe, concordo extremamente e respeito a decisão de não ter filhos.

Não dá pra encarar nossas escolhas como exceção. Há uns anos me vi assim (às avessas). Na verdade, a opção pela maternidade causou grande estranheza no meio profissional, de jornalistas bem resolvidas com dedicação exclusiva à vida profissional. Bem, hoje vi que fiz minhas três melhores escolhas: Íris, Davi e Caio. Eles são minhas três grandes produções e realizações de vida! Aprendi também a dar um passo de cada vez e agora posso seguir em frente.