mãe natureza

Nas manifestações do Abril Indígena – pelo Estatuto dos Povos Indígenas e para garantir políticas públicas que tragam desenvolvimento,  sem esquecer as raízes do país -, a luta de diversos povos e nações indígenas é a luta de muitas mães índias pelo sustento, saúde, respeito e qualidade de vida de suas famílias. A realidade dessas mulheres é uma grave consequência de um ‘Erro de Português”, como já transformou em poesia Oswald de Andrade:

“Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol,

 o índio tinha despido o português” 

 

foto Luiz Alves (Sefot/Câmara dos Deputados)

 

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Lapidação

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio

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Desde que nascemos querem nos fazer de jóias “que lindo rostinho, um pezinho tão pequenino, um olhinho miúdo…” Aos três a situação é a mesma, nos ensinam os bons hábitos e as palavrinhas mágicas, nos mostram para todos em perfeição e, mais tarde… nada do que fazemos é correto, tudo instiga a lapidação de nós mesmos. Sempre temos que melhorar em alguma coisa, mudar um comportamento, uma resposta errada e a impressão sobre a futilidade de tudo o que fazemos.

Acho que meu mundo está às avessas: os pais não são perfeitos. Me surpreendi querendo moldar meus filhos, num padrão que eu mesma criei com o tempo. Será que é justo? Esse é meu modelo de mãe?

Hoje sinto a dor da minha inquietação, a minha inconformidade…talvez por não aceitar quando o filho  reage às nossas imposições. Querer que ele coma a fruta que ofereço, que tome banho no exato momento, que diga sim, ou diga não.

Por isso, se publiquei os elogios poéticos de Íris num dia, por que não dar o mesmo espaço à opinião contrária de Davi, hoje, ao estar tão chateado comigo? Me vi num dos episódios da série Menino Maluquinho, quando em um certo dia a mãe é a melhor do mundo e, no dia seguinte, passa a ser a pior mãe do mundo.

O que fazemos em nosso extremo, quando o sol se põe e nos vemos tateando sem caminho certo? Não é esse meu estilo materno…prefiro conversa às agressões. resolvi deixá-lo pensar nas respostas chatas dele também e perceber o quanto perdemos quando, não cumprimos nossa responsabilidade ou magoamos outra pessoa. Minha solução foi estar exatamente aqui, reconhecendo o lado dramático da maternidade na 2ª infância. Enquanto para mim, restou a angústia de não saber como lidar em determinadas situações, pra ele ficou o peso de perder algo de muito valor: ficou sem o futebol e sem o campeonato do final de semana.

– “agora sustente a palavra”, retrucou Daniel , que também avaliou nosso estilo paterno.

Hoje, pra agravar ainda mais a situação, que espelha minha atitude imatura, Íris acaba de me perguntar sobre o que eu estou escrevendo. Escrevo sobre o repúdio à violência contra as crianças.

Grande desafio para nós mesmos: está lançada a ideia de NÃO à VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS, das palmadas a quaisquer castigos físicos à frustração moral.