Solidariedade e Doação

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris, Davi e Caio

O título do post é de um trabalho que Íris fez pra escola. Exatamente “Solidariedade e Doação”. O grupo fez um modelo de revista, com matérias e resenhas de leituras sobre o tema. Os livros-base foram “Amor não tem cor” e “Um garoto consumista na roça”. Então ela me fez umas perguntas sobre “Doação” e levamos a sério a entrevista.

Conversamos sobre as leituras para o trabalho e sobre algo ainda mais importante: as atitudes reais em torno do tema. Citei o exemplo dos doadores de órgãos e dos transplantes que salvam vidas; do sangue do cordão umbilical que começa a ser coletado pelos hemocentros e da doação de medúla óssea; falamos ainda dos simples gestos das doações materiais e da solidariedade fora do discurso. Nisso ela e Davi acompanharam de perto, com um exemplo prático, aquilo tudo que conversávamos:

Há um mês, sem saber como ajudar uma amiga na luta contra a leucemia de seu bebê e a burocracia do sistema de saúde pública para tratamento da doença, me vi angustiada e perdida.

Num telefonema que seria para dar as boas novas, Jaciene (moça forte e decidida, de voz e passos firmes) me ligou chorando: o pequeno Pedro Paulo tinha Leucemia Linfoide Aguda (LLA) diagnosticada em seu segundo dia de vida.

Depois de rabiscar no papel minhas pesquisas imediatas sobre o câncer infantil e as entrevistas que resolvi fazer com especialistas, o texto saiu (tímido e amedrontado). Falei sobre a dura realidade que, sinceramente, não gostaria que fosse minha. De certa forma é…Lembrei de outros personagens que já passaram por mim numa situação parecida e, como ficar sem agir?

Não sou cientista médica, não tenho poderes econômicos, nem tampouco a força que precisaria num momento de agonia. Mas, com o diagnóstico de um caso raro e a queixa generalizada pela burocracia, entrei em contato com editorias de jornais para dar destaque ao problema – não apenas de Jaciene, Silvio e Pedro Paulo – enfrentado por tantas crianças que, neste momento, dormem e acordam na luta por mais um dia de vida. Encaminhei a matéria como sugestão de pauta à imprensa mas, o pequeno Pedro Paulo não conseguiu esperar. Como não houve retorno de apuração dos veículos contactados, publiquei a luta das crianças com câncer, no Repórter free. Quem sabe a divulgação online surge como opção para debate, conscientização e mais atitudes…

Infelizmente muito se perde no meio do caminho. Mas, a interpretação do dia-a-dia pode se transformar em uma nova leitura de mundo. Se ensinada desde cedo, a transformação do conhecimento para uma atitude pode inspirar maior solidariedade e respeito às futuras gerações.

Com, ou sem Picles…

As crianças com câncer não podem esperar apenas pelo retorno de campanhas isoladas, como as do último dia 30 de agosto (dia do big mac) e dos eventos promovidos pela Abrace para arrecadar fundos. Como todas crianças, para crescerem saudáveis elas precisam de atenção especial, roupas brinquedos alimentação, educação e acompanhamento integral. Acesse o site da Abrace e saiba como ajudar: http://www.abrace.com.br/wtk/pagina/inicial. As doações podem ser deduzidas do Imposto de Renda e direcionadas a cada projeto e necessidade. Central de Doações/Telemarketing: (61) 3212.6000, 3212.6003 Atendimento das 8:00h às 20:00h.
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Por um livro livre!

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris Davi e Caio

Faça um comentário sobre este post e concorra ao Livro O Saci, de Monteiro Lobato. O Concurso faz parte do debate “Onde você lê com seu filho” promovido pelos blogs que participam dos sites Mulheres na Rede e Desabafo de Mãe. Participe!

 

Ainda no debate sobre as bibliotecas públicas, afora minhas lembranças de infância (do post anterior)… e nossas expectativas para apresentar um mundo de ótimas possibilidades a nossos pequenos leitores, percebi no boca-a-boca (com os tímidos para comentários online), que o passeio mais comum para apresentar o mundo da leitura à nova geração tem parada estratégica nas livrarias, de shoppings em geral.

Embora as seções infantis das grandes livrarias, ou o espaço das lojas especializadas em produtos pedagógicos tragam o encantamento que tanto queremos apresentar às crianças, fico com a dúvida de estar associando os passeios de leitura ao contraponto do consumismo.

Esta semana mesmo, Davi chegou em casa dizendo: “pequei um livro que nunca li antes”. Ele se referia ao “Baú contador de histórias”, que já buscou na biblioteca da escola por inúmeras vezes e não se cansa de ler. Iris já chegou com outro tipo descoberta: há uns dias, depois de ver uma notícia sobre a façanha do gigantesco acelerador de partícula, pesquisou com uma amiga tudo o que podia sobre o assunto. Na mesma hora, lembrei do físico brasileiro Marcelo Gleiser e tecemos sobre seu livro “A dança do Universo”.

Uma coisa é certa: seguindo o exemplo e a curiosidade deles, também voltamos a nos inspirar. Adorei quando os dois chegaram outro dia em casa com livros emprestados por outros amigos. Caio também já faz o mesmo. O projeto de leitura de sua escola estimula a troca de livros e, exatamente por saber que não vamos ficar com aquele exemplar em casa, fazemos juntos a leitura de tarefa de casa, tantas e tantas vezes quanto conserguimos.

Mas, também me emociono quando leio alguma notícia sobre alunos de escolas públicas que, mesmo sem condições financeiras para adquirir livros ou montar biblioteca, driblam a realidade e se inspiram no quixotesco prazer de ler.

Por isso, continuamos nossa busca pelas bibliotecas públicas das cidades, dos bairros, das escolas e das esquinas…como disse Bianca e Ceila em seus comentários no último post sobre “Onde você lê com seu Filho?”.

Outro final de semana tomei café da manhã numa padaria perto de casa e, para minha surpresa, havia um livro infantil na prateleira do livro livre (projeto muito bacana sobre o qual até já falei no repórter free).
Então, que tal a idéia de libertar um de nossos livros infantis e pensar na multiplicação dos pequenos leitores, além de nossos filhos, sobrinhos, netos e amigos a quem costumamos presentear?