SOPA DE LETRINHAS – ALEGRIA NA COZINHA

ALEGRIA NA COZINHA:  LANCHES DIVERTIDOS – POR EVELYNE OFUGI

Sempre fui apaixonada por Bentôs – (refeições  preparadas com a minúcia da arte japonesa, tradicionalmente acomodadas em lancheiras para adultos e crianças). Assim, são ilustradas as páginas do Alegria na Cozinha: um livro de lanches divertidos preparado por Evelyne Ofugi, com grande inspiração em seu filho Enzo. As 40 receitas publicadas  também fazem parte do dia a dia de sua Cozinha Bentô Kids e da Cantina da Árvore, da escola Maria Motessori, em Brasília.
Marca registrada de seu trabalho, são os pães de bichinhos, que também enchem de graça a capa do livro.

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Quando brincar virou perda de tempo?

POR ANA INÊS – REPÓRTER MÃE DE ÍRIS, DAVI, CAIO E NINA

Nos últimos tempos tenho lido textos, que me levam a outro, e a outro e a outro…todos sobre o respeito ao momento, às formas e ao espaço de brincadeira das crianças. Me animei para voltar a escrever uma das pautas que comecei sobre este mote, também pela  Jornada do Brincar, do Instituto Brincar em parceria com a CONALCO, que abre uma semana  (de 16 a 20 de outubro) com discussões online sobre a importância deste momento ímpar na vida das crianças e de todos nós.

Tenho quatro filhos. Digo sempre que, de todas as idades (21, 17, 12 e 4 anos) e, enquanto vivencio o momento com os mais novos, hoje falo com os mais velhos,  sobre a importância de um tempo pra enxergar nos irmãos e ajudá-los a viver o mais amplo momento da infância – a brincadeira.  Ter brinquedos soltos pela casa; roupa suja de terra, risos e correrias pelos corredores cedinho pela manhã; muita energia e pedido de atenção aos espetáculos e fantasias é parte fundamental da crianção de cada um deles. Castelos, carros, naves e cozinhas com caixas de papelão; banho de mangueira; brincar de areia; subir em árvores; montar um jogo de tabuleiro, se sujar de tinta…estas coisas não têm idade…basta se permitir. Esta foto de suas mãos arteiras, exprimem bem isto.

Sim, o brincar deveria ser a base da educação das crianças em todas as sociedades. Não importa o título pedagógico – antroposófico, Montessoriano, construtivista…. Nossas raízes (com traços indígenas) valorizam a natureza, o crescimento espiritual e os diversos momentos de crescimento e amadurecimento de nosso corpo. Por que então, como seres “maduros”, não cultivamos a semente natural do brincar, como essência para a criação de nossos filhos?

Quando o brincar, passou a ser perda de tempo? Quando, ainda que de forma inconsciente, condenamos o lúdico à necessidade de ensinar, o espontâneo ao conservador e a vivacidade da criança à expectativa para o amanhã, sem aproveitar exatamente o momento? Quem disse que a vivência de uma brincadeira “despretensiosa” não lhe dará naturalmente estratégias para a vida, sem que sejam indagados e testados o tempo todo para isto?

Falo do brincar sem compromisso, sem obedecer padrões, estereótipos, sem a impressão do certo ou errado…apenas sobre a importância do brincar, sinônimo de espontaneidade, enfim, da natureza infantil. Concordo com as pedagogas Silvia Jensen e Maria Chantal Amarante, quando enfatizam “Parece que tudo o que está relacionado com o brincar precisa render conhecimento imediato. Os adultos idealizam que os brinquedos têm que ser pedagógicos. Já se perdeu o bom senso do que é ser criança, da necessidade que ela tem e
dos processos infantis necessários para o seu desenvolvimento. No mundo infantil não deveria caber a palavra “pressa”.

Hoje, pessoas no mundo inteiro se articulam para o resgate sobre a importância do brincar. O espaço está aberto a grandes discussões – desde a Convenção sobre os Direitos da Criança – da Unicef; à Aliança pela Infância e outros movimentos nacionais, como o Instituto Brincante além da criação de espaços físicos que surgem por todo o país, em contraponto às tradicionais creches, com a proposta de simplesmente oferecerem espaços lúdicos, abertos ao brincar livre. Quando digo brincar livre, não refiro-me ao brincar sem o cuidado ou a companhia dos adultos. E sim, o brincar sem comandos condicionantes.

E vou além: quando falamos de brincar, ainda com o propósito de usá-lo como “ensinamentos” a imagem generalizada que nos vêm à cabeça, certamente é de crianças pequeninas, de 2 a 8 anos de idade. Mas, onde fica o largo da infância, que desde muito cedo já carrega a adjetivação de pré-adolescência aos 9 anos de idade? Preservar a importância do brincar, por mais tempo quanto possível é garantir uma vida saudável à geração.

Hoje, em sua maioria, esta faixa etária dos 08 aos 14 anos de idade, é marcada por tantas cobranças e obrigações, que parece precisar de comandos em toda e qualquer situação para que consiga interagir com o ambiente a seu redor. E, não coloquemos simplesmente a culpa nos eletrônicos hipnotizadores. Precisamos nos dispor a quebrar o que nós mesmos formamos, ao tirar deles a importância de brincar para não perder o tempo das “obrigações escolares,” ou convenções de comportamento àquelas crianças que estão crescendo e “precisam se comportar”…será mesmo que é disto que necessitam? Brincar nos transporta para diversos mundos e realidades. Brincar nos faz conquistar o tempo, não perdê-lo.